Escritas

da MORTE, cantata em odes mínimas

ALVARO GIESTA
Com estes versos quebrados propositadamente para romper com uma leitura da literatura tradicional - que bem poderiam ser heróicos elevando, se tal fossem, o poema a um lugar sublime e astral -, a mostrar o carácter transgressor e libertador da escrita, neste imaginário poético, enquanto poeta irreverente e contrário a certa linha poética que, sem desvios, canta quase invariavelmente o mesmo motivo e sob uma única variável, permito-me versar temas que, por aquilo que perturbam, são, pela maioria dos poetas, evitados. Assim, ouso tratar, também, o amor no percurso Vida-Morte - uma linha dialéctica já publicada, antes, na minha obra "O Retorno ao Princípio" - no sentido de fazer dele o elemento aglutinador de duas forças opostas, mas que se completam, dando-se continuidade uma à outra.
Dessacralizando aquela que causa tanto pavor - a Morte - para que ela vá perdendo o horror que inspira, a versei nestas odes mínimas de que aqui fica o embrião de possível obra a editar. Busco compreender a morte no entendimento que em primeiro lugar faço da vida, quando encaro com apreensão e preocupado esta sociedade de alienação, dominada pela obsessão do prazer e do dinheiro, uma sociedade do não sujeito e da violência, uma sociedade rumo ao vazio onde a morte a persegue e em muitos casos a domina, transformando-a, nesta via de pensamento, numa quase não sociedade.

Texto e poemas seguintes publicados a pag. 9 a 13, em "OPUS - selecta de poesia em Língua Portuguesa", Temas Originais, 2018, Coimbra
ISBN 978-989-688-294-5
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