Fim
Feernando Monteiro
o vento veio. a chuva veio. abraçaram-no. abraçaram-na. abraçaram-se. o vento corria suave gentil com os corpos sós que se tinham. ele era ele. ela era ela. ele e ela eram eles.toraram-se um na caminhada da vida que lhes corria nas veias. a cidade estava longe. o fim estava longe e a cidade não era o fim. o fim eram eles que se tinham encontrado absorvido conjugado como quem respira. a cidade era longe. o fim estava longe.mas nada nem tempo nem eles queriam fim. queriam sentir o vento que lhes moldava as roupas a alma o caminho.o caminho de encontro ao passo seguinte que é sempre o passo que há-de vir.deram as mãos soltaram risos sorridos gaivotas abriam-lhes alas de encontro ao mar que num murmurio cantante chamava por eles.deram o passo seguinte, que é sempre o passo que há-de vir, na direção do mar. as águas envolveram-nos. abraçaram-nos.continuaram caminhando seguidos pelo coro de gaivotas. a cidade não era o fim o mar não foi o fim. o fim nunca foi o fim.
FIM
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