Bem-aventurada solidão

Espreito pelos olhos da noite toda a escuridão
Chegar e asfixiar este pranto ou lamentação
Deixando um mandato de captura para a solidão
Tatuada numa prece fiel, lavrada com tanta emoção
Teço meu tédio em fios de seda esparramada entre
Lençóis e desejos consumados, assim como quem
Costura um sudário de silêncios além sepultados
Renasce prematuro o dia alimentando o cântaro
Do tempo que assim se esvai lentamente difamado
Deixando em luto qualquer sonho agora vitimizado
Arisca e bem-aventurada a luz desponta aprumada
Corroendo cada hora, cada minuto mais blasfemado
Invídia para todas as memórias perdidas no débito da
Vida amordaçada, domada, mas sempre tão inconformada
Frederico de Castro