Escritas

Bem-aventurada solidão

Frederico de Castro


Espreito pelos olhos da noite toda a escuridão
Chegar e asfixiar este pranto ou lamentação
Deixando um mandato de captura para a solidão
Tatuada numa prece fiel, lavrada com tanta emoção

Teço meu tédio em fios de seda esparramada entre
Lençóis e desejos consumados, assim como quem
Costura um sudário de silêncios além sepultados

Renasce prematuro o dia alimentando o cântaro
Do tempo que assim se esvai lentamente difamado
Deixando em luto qualquer sonho agora vitimizado

Arisca e bem-aventurada a luz desponta aprumada
Corroendo cada hora, cada minuto mais blasfemado
Invídia para todas as memórias perdidas no débito da
Vida amordaçada, domada, mas sempre tão inconformada

Frederico de Castro
230 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment