O ANDARILHO
ERIMAR LOPES
Cala-te se não sabes dizer, apenas ouça para aprender dos grandes, dos sábios, dos notórios, dos ilustres, mas cuidado com os embustes!
Aguce os sentidos, não fique aí perdido, paralisado, aturdido, ouça, anote e grave tudo o que te edifica, mas cuidado com os embustes, eles te complicam.
- Boa tarde seu moço! Donde vem dessa feita? Perguntou um senhor curioso que sempre observava muito ansioso um andarilho a passar em sua cidade sempre a perambular.
- Respondeu o andarilho: boa tarde! Vagando por este país onde não criei raiz em lugar nenhum, de caminho a caminho, cidades a cidades sou apenas mais um. Neste mundo me tornei um vagabundo sem valor algum.
- Mas por que essa vida? Se podes ter uma dignidade ao invés de vagar de cidades a cidades? Me desculpe as curiosidades, mas sou intrigado, sei que tem gente por todo lado, mas se continuar assim um dia estará acabado, veja o seu estado.
- Sim senhor, eu fui imprudente quase estou demente não tenho semente, tampouco me vejo junto as gentes. Meu mundo é vazio de dores e frio, meu olhar é sombrio que dá calafrios se fitam a minha face frente a frente.
- Sim, isso eu não consigo, pois mais parece um mendigo, tem semblantes caídos, traços perdidos em um corpo sofrido, pelo que tenho visto são pavores vividos. Em tantas andanças não tem esperanças?
- As minhas esperanças ficaram perdidas há muito tempo, estou vivo, mas não sei se morro por tantos espantos que me apavoram, pois toda a sorte a minha alma e o meu espírito ignoram, meus olhos choram lagrimas de dor, não sei o que é o amor.
- Sei que não cabe mais me responder, mas queria saber o por que dessa vida perdida? Por tantas andanças sem encontrar nenhuma guarida, porquê te vejo sempre por aqui passar e nunca parar, somente continuar o seu caminho trilhar.
- Deixei-me levar pelo mal, era um ser humano normal, fui fraco provei o que não devia. Foi droga, foi álcool, eu fumava e bebia, então num dito dia me pus no mundo a perambular sem rumo, perdi o prumo, pois fui sugado pelos vícios danados que me levaram acorrentado.
- Hoje isto tudo me corrói, pois nada de bom em mim se constrói, me esforço, luto, combato, como se fosse ao vento, vivendo ao relento eu tento, mas o que planto logo que nasce se destrói, isto muito me dói, mas a frieza drenou os meus sentimentos, todos eles foram levados aos ventos.
- Queria parar com estas andanças, ter de volta a minha dignidade, minha família não tem mais esperanças, por eu viver assim de cidades a cidades, eu sei que tudo isto é castigo, não duvido, pois pratiquei muitas maldades.
- Há muitos anos vivo desta maneira, eu mesmo sou testemunha por tanta loucura, se ainda não morri já encerraram a sepultura, que aberta me esperava com a boca em sua largura.
- Já estive em prisões por estes mundões, testemunhei confusões, vi a morte a milhões, minha alma nas mãos de miseráveis vilões. Que assim como eu, quem matou não morreu, todavia sofreu e pagou as duras penas na angústia fria.
- O que me diz me assombra, já estou sem palavras, de um ser humano nunca se zomba sem saber os motivos que os levaram às sarjetas, imaginava que fosse apenas mais um escorado em muletas, por ter escolhido essa vida sem responsabilidades afetas.
- Não meu senhor, eu não quis isto pra mim, há muito imaginava ser o meu fim, que não havia mais esperanças no ar em que eu pudesse me agarrar e nunca mais soltar, mas pensei, que por tudo o que já passei, o morto-vivo que andei, e ainda respiro, nem que seja no último suspiro por redenção eu clamarei.
- Agora não mais partirei, por aqui ficarei e esperarei o meu fim, tenha certeza nunca mais me verá nesta cidade passar como antes me via, sentado nessa cadeira à beira da estrada como se fosse um vigia, pelo jeito o que eu vejo, o senhor é aposentado e está regalado pelo que foi trabalhado ano a ano contado.
- Eu estou malfadado, não tenho recursos, sou de meia idade, beirando a velhice, mas vendo meu estado mais pareço um ancião em plena caduquice, tudo isto por causa de tantos anos vagando, caminhando, e mal alimentando.
- Pois então companheiro, se ficará por aqui te desejo boa sorte, que o Deus dos Céus te aparte da morte, te dê um norte, te arranque a fraqueza e te faça forte, e redima seus pecados. Ficarei satisfeito se eu vê-lo com todo respeito despido e lavado desses trajes esfarrapados, e bem alimentado.
- Pode deixar meu senhor, estarei me esforçando com todo labor, pra endireitar meus caminhos, mesmo vivendo sozinho, sem recursos e no dissabor das minhas tristezas, vejo luzes acesas que me dão a esperança de ainda encontrar neste lugar aceitável bonança.
Em toda esta conversa não se apresentaram, seus nomes não se revelaram, aquele senhor ficou maravilhado por saber do estado daquele andarilho malfadado, que para ele era apenas mais um que escolheu a vida vadia, sem responsabilidades, pois nada de bons frutos recolheu dia após dia andado de cidades a cidades. Enquanto que o andarilho ficou tão satisfeito, por ter tido o respeito daquele senhor, que com coragem o indagou sobre a sua vida vazia e por que aquilo fazia vagando à própria sorte se entregando à morte que ainda não o queria.
Aguce os sentidos, não fique aí perdido, paralisado, aturdido, ouça, anote e grave tudo o que te edifica, mas cuidado com os embustes, eles te complicam.
- Boa tarde seu moço! Donde vem dessa feita? Perguntou um senhor curioso que sempre observava muito ansioso um andarilho a passar em sua cidade sempre a perambular.
- Respondeu o andarilho: boa tarde! Vagando por este país onde não criei raiz em lugar nenhum, de caminho a caminho, cidades a cidades sou apenas mais um. Neste mundo me tornei um vagabundo sem valor algum.
- Mas por que essa vida? Se podes ter uma dignidade ao invés de vagar de cidades a cidades? Me desculpe as curiosidades, mas sou intrigado, sei que tem gente por todo lado, mas se continuar assim um dia estará acabado, veja o seu estado.
- Sim senhor, eu fui imprudente quase estou demente não tenho semente, tampouco me vejo junto as gentes. Meu mundo é vazio de dores e frio, meu olhar é sombrio que dá calafrios se fitam a minha face frente a frente.
- Sim, isso eu não consigo, pois mais parece um mendigo, tem semblantes caídos, traços perdidos em um corpo sofrido, pelo que tenho visto são pavores vividos. Em tantas andanças não tem esperanças?
- As minhas esperanças ficaram perdidas há muito tempo, estou vivo, mas não sei se morro por tantos espantos que me apavoram, pois toda a sorte a minha alma e o meu espírito ignoram, meus olhos choram lagrimas de dor, não sei o que é o amor.
- Sei que não cabe mais me responder, mas queria saber o por que dessa vida perdida? Por tantas andanças sem encontrar nenhuma guarida, porquê te vejo sempre por aqui passar e nunca parar, somente continuar o seu caminho trilhar.
- Deixei-me levar pelo mal, era um ser humano normal, fui fraco provei o que não devia. Foi droga, foi álcool, eu fumava e bebia, então num dito dia me pus no mundo a perambular sem rumo, perdi o prumo, pois fui sugado pelos vícios danados que me levaram acorrentado.
- Hoje isto tudo me corrói, pois nada de bom em mim se constrói, me esforço, luto, combato, como se fosse ao vento, vivendo ao relento eu tento, mas o que planto logo que nasce se destrói, isto muito me dói, mas a frieza drenou os meus sentimentos, todos eles foram levados aos ventos.
- Queria parar com estas andanças, ter de volta a minha dignidade, minha família não tem mais esperanças, por eu viver assim de cidades a cidades, eu sei que tudo isto é castigo, não duvido, pois pratiquei muitas maldades.
- Há muitos anos vivo desta maneira, eu mesmo sou testemunha por tanta loucura, se ainda não morri já encerraram a sepultura, que aberta me esperava com a boca em sua largura.
- Já estive em prisões por estes mundões, testemunhei confusões, vi a morte a milhões, minha alma nas mãos de miseráveis vilões. Que assim como eu, quem matou não morreu, todavia sofreu e pagou as duras penas na angústia fria.
- O que me diz me assombra, já estou sem palavras, de um ser humano nunca se zomba sem saber os motivos que os levaram às sarjetas, imaginava que fosse apenas mais um escorado em muletas, por ter escolhido essa vida sem responsabilidades afetas.
- Não meu senhor, eu não quis isto pra mim, há muito imaginava ser o meu fim, que não havia mais esperanças no ar em que eu pudesse me agarrar e nunca mais soltar, mas pensei, que por tudo o que já passei, o morto-vivo que andei, e ainda respiro, nem que seja no último suspiro por redenção eu clamarei.
- Agora não mais partirei, por aqui ficarei e esperarei o meu fim, tenha certeza nunca mais me verá nesta cidade passar como antes me via, sentado nessa cadeira à beira da estrada como se fosse um vigia, pelo jeito o que eu vejo, o senhor é aposentado e está regalado pelo que foi trabalhado ano a ano contado.
- Eu estou malfadado, não tenho recursos, sou de meia idade, beirando a velhice, mas vendo meu estado mais pareço um ancião em plena caduquice, tudo isto por causa de tantos anos vagando, caminhando, e mal alimentando.
- Pois então companheiro, se ficará por aqui te desejo boa sorte, que o Deus dos Céus te aparte da morte, te dê um norte, te arranque a fraqueza e te faça forte, e redima seus pecados. Ficarei satisfeito se eu vê-lo com todo respeito despido e lavado desses trajes esfarrapados, e bem alimentado.
- Pode deixar meu senhor, estarei me esforçando com todo labor, pra endireitar meus caminhos, mesmo vivendo sozinho, sem recursos e no dissabor das minhas tristezas, vejo luzes acesas que me dão a esperança de ainda encontrar neste lugar aceitável bonança.
Em toda esta conversa não se apresentaram, seus nomes não se revelaram, aquele senhor ficou maravilhado por saber do estado daquele andarilho malfadado, que para ele era apenas mais um que escolheu a vida vadia, sem responsabilidades, pois nada de bons frutos recolheu dia após dia andado de cidades a cidades. Enquanto que o andarilho ficou tão satisfeito, por ter tido o respeito daquele senhor, que com coragem o indagou sobre a sua vida vazia e por que aquilo fazia vagando à própria sorte se entregando à morte que ainda não o queria.
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