Escritas

Além do amanhecer

Frederico de Castro


Dispersa mas sublime desponta a manhã
Fluindo pelas planícies deste tempo confinado ao
Regime ditatorial do amor quase abusivo e fascinado

Insubordinado deixo um perene e retórico desejo
A marinar ali onde patrulho a memória azucrinada
Parodiando a vida repleta de gargalhadas concubinadas

Assim se reedita a solitária saudade bebericando no
Esquadrão do meu léxico fascinado, cada esbelta palavra
Aprimorada neste silêncio que se esgueira agora ressuscitado

A chuva fria e invernosa cai sossegadamente na janela
Dos meus lamentos tão contaminados, regando com desvelo
Os cumulonimbus deste amor vorazmente alucinado

Assim proscrita, a solidão hospeda-se nos jardins da memória
Esperneando amofinada até que a esperança resgate no tempo
E no atol das lembranças, a vida eternamente ovacionada

Crispada a noite acoita-se de mansinho sob sete saias
Apaixonadas, rebolando lânguida pelos beiras das minhas
Mui ternas ilusões avidamente escancaradas

Num esgar imenso e profundo boceja depois a madrugada
Costurando um amanhecer que além chega inolvidável
Deixando em nós uma caricia…oh, como brada ela implacável

A sós no cárcere da minha solidão demarco cada hora
Permeável sublimando o pregão dos desejos vergados à
Nomenclatura do silêncio quebrantado, visivelmente embriagado

Frederico de Castro
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