Escritas

Discurso para Nicéia

knightofcelestialblue
Aonde está a Púrpura?
Nos dias de hoje não se encontra.
Aonde está Nicéia?
Chorando sobre as fontes dos rios.

Ai!Ai!AI!
Dói meu coração ao saber,
que a nobreza no mundo morta está,
junto a tantas outras virtudes.

Quando o soldado ergue a espada,
é para derramar sangue inocente.
Quando o guarda baixa a lança,
é para salvar os assassinos.

Matam matam e matam!
Ó Nicéia, onde está a beleza dos rios?
Eu ergo minha voz ao olhar,
a profunda dor em teus olhos.

O que pode fazer um bardo como eu?
Na taverna, querem que eu cante,
louvores à bebida e torpezas mais.

O que deve fazer um trovador como eu?
Nos fóruns querem que eu louve,
homens que oprimem o povo.

Ai de mim, Nicéia, ai de mim!
Olhe os trapos que eu visto!
Teus lábios são doces,
teu sorriso são águas,
mas persisto no erro,
mas insisto no pecado.

Quem sou eu? Oh! Quem sou eu?
Para erguer dessas ruínas um templo,
tão forte quanto um grande terremoto,
para o povo poder enfim salvar.

Quem sou eu? Oh! Quem sou eu?
Para dizer, olhem, eu sou púrpura,
sigam esse caminho,
salvem agora suas almas.

Nicéia Nicéia!
Não chores em pranto ardente!
Meu peito queima em fúria,
quando vejo essas lágrimas suas!

Nicéia Nicéia!
Não vires teus olhos!
Não me olhes neste estado,
estado deplorável em que estou.

O mal se ergue,
quando me deito,
mas quando sai o sol,
eu continuo deitado.

Se eu pudesse, oh Nicéia!,
pelo menos ter um pouco de vontade,
não ficaria sobre a relva o dia todo,
enquanto o mundo a minha volta se esvae.

Mas oh! Oh, Nicéia!
Essas vontades dentro de mim me arrastam!
Dia e noite me Arrastam!
UGHHHHHH, oh! Nicéia!

Clamo ao Espírito e ele me puxa!
Mas eu me deixo arrastar!
AAAAGGHHHH!

Será que é verdade, oh Nicéia!,
que o homem não tem salvação?
Nos primórdios eu pelejava contra ele,
aquela coisa imunda!

Minha alma não aceitava,
meu corpo se estremecia!
Eu era o nobre,
abaixo ao pretendente!

Lutar lutar, erguer a espada!
Rasguem-se minhas vestes,
movam-se as montanhas!
Este grão está prestes a nascer!

Eu caio, eu caio, mas aaaaaaaaaaaagh!
Eu me levanto!
Tragam denovo o estandarte,
sobre minha cabeça só existe um!

Como um gafanhoto,
eu consumo os frutos da minha coleita!
Como um louco,
eu semeio até mesmo no inverno!

Ai, Nicéia, eles me jogam pedras,
dizem que Deus largou esse mundo,
dizem que lutar contra o mal é juntar poeira.

Miserável homem que sou!
Como ainda não engoli a terra?
Como ainda não deitei o pó sobre minha cabeça?

Me acalme, agora, Nicéia,
respingue sobre mim,
água pura.