JOGO DA VIDA
ERIMAR LOPES
Saia lá fora e veja o mundo, a vida, como numa despedida, lance as cartas, se não tem trunfos descarta todas as possibilidades inexatas de vencer ou perder a cabeça, os sentidos em etapas. Feche os olhos um instante, respire o bastante, não se avexe, franqueie as apostas, não dê as costas às portas, defenda-se, não renda-se aos desejos tolos, medite e não dê palpites, fuja de enrolos, não sofra nem faça sofrer, melhor estático se não podes correr, esconda-se, mova-se aos olhos do inimigo e fuja do perigo iminente, esteja ciente de que as fraquezas surgem de repente, não experimente a sensação da ausência sem clemência. Volte fique onde está porque no jogo da vida é difícil de ganhar sem ter alto pra apostar, se perder ganho eu ou ganhe você as migalhas da soberba que alimentam-nos as falhas de podermos enriquecer os desejos sem virtudes que nos cercam amiúde com a ganância de crescer. Em todos os sentidos seja comedido, não jogue com a vida nessa ânsia enlouquecida, vai ter com os prudentes, estude suas mentes e dispa dessa jactância, total alternância das correntes bem e mal, e entre na frequência sem apostar a valência da sua alma colossal.
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