Escritas

IGNOTO AMOR

ERIMAR LOPES
Nas fendas das tendas imagino oferendas de dilacerar meu coração. A minha vida, um amor sem pudor de engano e traição.

Que ri e que zomba e não se assombra pois não tem temor. Que criatura é essa que não se vexa com nenhum rumor, que mente e que finge como um falso pastor.

Que deita na cama e diz que te ama com todo valor. Que os pés se apressam e sem vacilar, não tropeçam.

Que revolve na lama se imunda e te chama sem fazer drama. Desnuda nas noites recebe os açoites nos becos de clausura, seriam tão apertados e desapropriados se houvesse candura.

Sempre volta pra casa escondendo as marcas e o odor que fica, por tantas aventuras que se explica e não justifica.

Que aos meus olhos ignoto é, nem por outras bocas há manifesto, desvendá-lo somente pela fé.
422 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment