Poeta


A poesia é o antidepressivo do poeta
Não nos importa a dosagem correta
É a automedicação pueril
Não importa se a inalou ou a engoliu
Os versos são nosso marca tempo
Descrevemos cada momento
Reais e fragimentados
Fingidos ou inventados
Não nos importamos com a reação
Sua interpretação é mero acaso
Somos egoístas e escrevemos nossa vontade
Nos multiplicamos e ao mesmo tempo somos um
Ninguém sabe ao certo a razão de ser do poeta
Se ele fecha ou deixa a porta aberta
O valor da solidão nos custa caro
Gastamos cada tostão em rum, tinta e papel
Somos a nossa melhor companhia
Mas valorizamos o amor com sintonia
Nada para nós é pouco
Fazemos desse mundo louco nosso teatro
De personagens principais aos bastidores
Somos muitos e nos sentimos poucos
Recolhemos cada escrito
E engavetamos por discrição

Eunice Spina


206 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.