Escritas

BAQUAQUA EM CASA DO AMO PADEIRO

Alberto Secama
Em geral, nas ruas, Baquaqua vendia
Todíssima produção do pão que fazia
Mas, se por acaso, caísse o facturamento
A punição era " chicotes naquele momento "

Em casa do amo padeiro
Baquaqua, o escravo de tabuleiro
Com outros quatro, partilhava o inferno
De trabalhar o dia todo, até as nove da noite

Em casa daquele português católico
Qual desatenção ou sonolência
Eram desaconselhados p'lo comprido açoite
Na hora dos cultos, qu'eram dois por dia;

O sinal da cruz, que tinham de fazer
E palavras estranhas pronunciar
Tão rápido, Baquaqua s'esforçou a entender
E a língua de Camões, cedo aprendeu a falar

Mas, depois d'incontáveis surras
Não fosse o álcool, que passou a beber sem freio
Baquaqua, meu kamba de quantas amarguras
Considerado um "caso difícil", foi revendido
Para um capitão de navio

Alberto Secama 17-Ago-18