Escritas

INCÓGNITA

ERIMAR LOPES
Olho pra você e não consigo entender quem sou eu, onde estou, para aonde vou, o que aconteceu, o por quê. Pessoa intrigante, desafiante não obstante difícil de ler, palavras cruzadas, emaranhadas nas bocas caladas nada a dizer.

Nada provado, quase tudo ocultado com receio apegado, de olhos bem fechados ainda consigo ver, sentir com o coração na palma da mão os caminhos em vão, vazios a percorrer.

Neles não há delícias feito as primícias nos dias das primeiras carícias, são acinzentados e desfigurados, sepulcros caiados cheios de malícias.

Estão todos doentes sem médicos e medicamentos, morrerão na mediocridade e nos desalentos, na negrura do medo talvez tarde ou bem cedo em tudo haja sentido para tanto segredo.

Mesmo com o coração esmiuçado, sangrando e chorando, assim sigo andando num dilema sem fim, porque a razão fala mais alto que a emoção dentro de mim.

Leva-me então à esperança de sobreviver como num dia de matança quando os covardes submetem seus criados ao mais duro castigo para depois atravessá-los com uma lança.

Cresce a ânsia de ter tudo revelado não sabendo se o preço é alto ou apenas uns trocados, apenas digo que os valores já foram dados.

Obstinado coração altivo em questão de permanecer na dureza surreal dos acontecimentos, que estão a transtornar a vida e os sentimentos de um amor injustiçado que segue lado a lado a essa incógnita de ventos.
385 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment