Escritas

MEU POVO

Paulo Sérgio Rosseto
Olhando do prédio adivinho
Meu povo passar na alameda
Cheia de pedras soltas nas ruas
Degraus repentinos feito abismos
Piso escorregadio nas calçadas
Sem qualquer porosidade onde pisa

Vagam a sola e a sandália
Entre o asfalto, o chão e o vazio
Passam a passos tortos
Por onde não devessem seguir
Seguem tontos, cegos
Tateando os pés pelo solo
A esmo, sem rumo, a ir

Entrevejo impertinente a plebe
Ater-se a desviar de postes
Placas, poeira, árvores, carros
Tapumes, cocô de cachorro, chorume
Espalhados na correria da insanidade
Ignorando que as avenidas
Cansaram-se da displicência
Dos reclames da Cidade

E sobre a beira da laje
Indiferentes surdas formigas
Perdidas feito gado em riste
Ignoram as aragens disformes
Nivelam suas trilhas com as patas
Sedimentam os caminhos e o destino
Imitando minha gente passante
Estafada de tanto andar
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