Escritas

A cércea da solidão

Frederico de Castro


A luz da vida cambaleia e estatela-se pesarosa
Deixa no aterro da solidão a penumbra do silêncio
Fluindo pelo cordame da vida que fenece ao algemar
Mil fardos de caricias gentis e generosas

Vadia lá longe além dos céus condescendentes
A cércea desta minha solidão sempre dissidente
Adormecendo entre os rails da memória o espectro
Dos nossos sonhos agora mais confidentes

A sós a noite inventa tantas sílabas apaixonadas
Suspensas num glacial lamento onde se mutilam
Expressões rugindo numa palavra sempre aliciada

Quiçá o dia ribombasse de luz bem emulsionada
Parindo sob o frio lajedo do tempo um verso ardente
Temperamental ressoando de felicidade tão concludente

Frederico de Castro
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