Etílico. Idílico.

Eu odeio essa coisa de alvorada. Não é que eu seja um desses fissurados pela artificialidade dessas luzes intermitentes que complementam a luz natural da lua cheia. É só uma sensação horrível que sinto de que com o passar deve véu nefasto e complacente da noite, eu terei que encarar essa realidade lúcida, Iluminada, límpida e morna; sempre morna, personificando os problemas verdadeiros que os seres diurnos tem que enfrentar. Por mais que meus amigos discordem, eu levo comigo a ideia de que todos os dias deveriam ser noite. Imaginem; seres bêbados vagando sem rumo com suas ideias prolixas e com suas verdades enaltecidas pelo álcool, sendo quem são de verdade e cambaleando sôfregos, por terem perdido tanto tempo tentando merecer a aceitação daqueles seres matutinos e reprimidos. Porque não matamos todos os galos, eu particularmente odeio os galos, pontuando cirurgicamente o momento certo de acordar em cacarejos escandalosos que ricocheteiam nessa minha mente displicente que só se preocupa com a próxima noitada. Eu sou um inimigo declarado do dia!
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