Escritas

A sexta onda

Frederico de Castro


Atarantada e tão assustada eleva-se numa vaga
Mais anárquica e depois mergulha mar a dentro
Até se perder entre margens que tagarelam numa orgia
De oceânicos prazeres tão titânicos

Numa inferneira polifónica e esganiçada escuda-se
Num banzé de desejos náuticos corrugando todos os
Marítimos momentos icónicos e tântricos onde aportam as
Paixões indubitavelmente mais arquitectónicas, mais semânticas

Ali vai ela a sexta onda na proa dos ventos seguindo a
Quilha deste silêncio que freme até se esbardalhar
Num chinfrim de brados e lamentos contristados

Imiscui-se entre pacíficos olhares de ternura onde pulsam
Brisas quase alienígenas soprando no anemómetro do tempo
Oh, inolvidável tsunami chapinhando naquela onda tão instável

Frederico de Castro
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