Na foz do tempo
Frederico de Castro
Perco-me na foz deste tempo escorregadio
Amadurecendo cada hora suada, faminta,
Enxotando o silêncio degustado num lascivo
Momento de prazer que agora pressinto
Recompõe-se a solidão depois de deixar interdita
Outras tantas saudades quase inauditas
Vicia-se destas bucólicas palavras embebedadas
Até ao frémito de mil caricias sempre bem respaldadas
De muitas ambíguas ilusões se converteu a noite
Deixando esfarrapadas quaisquer memórias que depois
Se dissipam pela madrugada ternamente apaixonada
Com um elã fantástico renasce o dia alijado em breves
Sussurros quase assombrados deixando-nos fartos,
Despertos, impunemente carentes...mas tão saciados
Frederico de Castro
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