O poderio do cio
Frederico de Castro
Incomunicável deixei todo o meu silêncio
Estender-se pela macilenta noite desfeita em
Erotizantes lamentos tão corpulentos, pronuncio
De turísticas ilusões que um sorriso ainda enfeita
No jardim dos meus sonhos florescem ternas
Ávidas e endoidecidas buganvílias
Dormitam nos cipós do tempo perfumado de
Tantos equatoriais desejos apaixonantes
Desabam em mim quais plumas flamejantes
Indivisíveis momentos de prazer galopando
Até aos píncaros da alma embebedada e pujante
O poderio do cio converte-se agora em tantos
Beijos quase fulminantes e depois manifesta-se
Lá das profundezas do amor assim ofegante
Frederico de Castro
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