Escritas

(Crônica) Quando o sapato aperta

Madalena_Daltro

Coluna: Cultura & Literatura - Jornal Folha Valle.

Quando pensamos na associação entre sapatos e princesas, logo vem à memória a história da Cinderela, que perde o seu
sapatinho após um baile no palácio real.
Mas os plebeus também têm lá as suas fixações por sapatos.
Uma vez ouvi o estilista Clodovil falando que não gostava do sapato feminino com salto plataforma, dizia que era um salto grosseiro ou coisa semelhante. Então, dias atrás li num jornal da capital paulista que a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, não aprova o uso de sapatos de salto plataforma, aqueles com acabamento em cortiça. A notícia dizia ainda que ser da realeza implicava, para as mulheres como Kate Middleton (Duquesa de Cambridge) e Meghan Markle (Duquesa de Sussex), algumas restrições, como a de não usarem este tipo de calçado perto da rainha ou eventos oficiais...
Achei a restrição mais leve do que os saltos dos tais sapatos...
É verdade que Kate e Meghna não são princesas, mas têm potencial para tal, portanto, atenção para os sapatos!
Achei curioso o tipo de notícia que se dá atualmente sobre a realeza. Verdade seja dita, acho tão irrelevante! Não pelos saltos plataformas, ah, sim não tenho nada contra, mas para mim também são irrelevantes, considerando a minha altura, qualquer que seja o salto e qualquer que seja a altura dele, me sinto o próprio e inesquecível Jorge Lafond no auge dos seus 1,96cm.
Pois bem, notícias assim, sobre o gosto da Rainha, são rasteirinhas perto dos feitos da outra Rainha da Intglaterra, a Elizabeth I. Um dos seus feitos realmente dramáticos foi o de manter a sua prima, a bela e alta Mary Stuart, Rainha da Escócia, presa por uns 19 anos e, por fim, decapitada a mando da Rainha. Reza a lenda que foram necessários 3 golpes para que a dita morte limpa fosse finalmente executada.
Conhecendo essas histórias, é difícil achar que realmente seja algo dramático não poder usar um determinado modelo de sapato e também achar qualquer traço digno de correção na atual Rainha da Inglaterra.
Por outro lado, conhecendo o contexto da história nos tempos de Elizabeth I, época que o escritor e dramaturgo William Shakespeare viveu, não é de se espantar com o que chamam tragédia do teatro Shakeasperiano. Também não é de achar assim tão, digamos, tão desesperador quaisquer que sejam as atuais restrições lá nas terras monárquicas.
Shakespeare tinha pouco mais de 20 anos quando Maria Stuart foi decapitada, e a sua (leia mais em: http://folhavalle.com/quando-o-sapato-aperta/ ).
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