Halo do silêncio
Frederico de Castro
Assento-me naquele lamento
Deixo em detrimento do tempo
Um silêncio cativante em deferimento
Suaves e celestiais acasalamentos fluem
Pelas ilusões que acolá estremecem
Em intermináveis fragmentos
Aos sons serenos cantam ecos sonolentos
Deixando vespertinos cânticos delirando em
Tantos pas de deux em descarrilamento
E enquanto na alma gemem e choramingam
Aveludados silêncios de arrependimento, ilumina-se
O halo da solidão enclausurada neste sentimento
No cinábrio dos tempos brilha a luz espasmódica
De tantos, tantos beijos de entretenimento, carcomidos
Pela hora já adiantada que envelhece sem consentimento
Frederico de Castro
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