Escritas

Desabrigo da solidão

Frederico de Castro


Por mais de uma noite abrigo a solidão
Espreitando deste sentimento quase estrangulado
Encobrindo o tempo que arde num archote
Crepitante...tremendamente flamejante e empolado

Continuou a chuva lá fora, alimentando a terra
Ressequida, mas arregalada embebedando-se com
Todas as gotas deste silêncio em mim mais atolado
Oh, lágrima enclausurada no degelo desta hora quase degolada

Vestida com arrepios de prazer ficou a noite assim
Esfarrapada galopando rua acima até que lá do alto
Se defenestre uma saudade ainda franzina e avassalada

Endoidecidos moram em mim, tantos desejos que prevalecem
Sempre dissimulados convalescendo nos peitoris de uma brisa
Que passa acoplada a esta caricia esquecida, mas bem adornada

Frederico de Castro
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