Escritas

Horizontes infinitos

Frederico de Castro


Sobe pela haste da noite um breu
Quase ignominioso
Transforma cada sombra num
Belo pas de deux tão plumoso

Deambula pelo horizonte infinito
Alimentando o dialecto das paixões
Corporizadas numa onda bolinando
À deriva deste oceano mais audacioso

A madrugada bêbeda e solitária vomita
Na rua desejos tão causticantes
Deixa entre parenteses aquele beijo unificante
E rogado numa caricia sempre provocante

Descansam no sudário da minha solidão
Tantos sinuosos lamentos, malgrado esta
Inesperada saudade carcomida por remorsos
Lícitos, contagiantes, desesperadamente pujantes

Frederico de Castro
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