EGO
Sem poder escolher
por abnormal nascença,
de minhas senciências neuronais
- entre o real e o imaginário -
inauguro, reinauguro e devasso
todas as possibilidades
para que se tornem
minhas;
com o poder de escolha
que veio depois,
de minhas retinas cegas
vejo tudo que se me
faço tornar meu;
com minha boca afiada
pronuncio tudo que me apraz,
ou não,
do exato ponto,
do qual tudo me pertence.
E tudo isso
que andais a ler
nestes mal traçados versos
por aqui
- e que, por vezes,
até elogias sem muito
deles entender -,
não passa do reflexo
de meu angustiante e degredado
aprisionamento.
O que não podeis ver
é que, dentro, há um grito de desespero
pela impossível libertação
de meu próprio eu:
"Deixem-me sair!"
por abnormal nascença,
de minhas senciências neuronais
- entre o real e o imaginário -
inauguro, reinauguro e devasso
todas as possibilidades
para que se tornem
minhas;
com o poder de escolha
que veio depois,
de minhas retinas cegas
vejo tudo que se me
faço tornar meu;
com minha boca afiada
pronuncio tudo que me apraz,
ou não,
do exato ponto,
do qual tudo me pertence.
E tudo isso
que andais a ler
nestes mal traçados versos
por aqui
- e que, por vezes,
até elogias sem muito
deles entender -,
não passa do reflexo
de meu angustiante e degredado
aprisionamento.
O que não podeis ver
é que, dentro, há um grito de desespero
pela impossível libertação
de meu próprio eu:
"Deixem-me sair!"