Um poeta embriagado

Naquele dia eu havia bebido.
Eram aquelas as minhas atitudes,
Mas também você o meu pensamento.
O meu olhar desconfigurado.
Como eu sorri para o seu reflexo.
Em meu íntimo a louca paixão estava atiçada.
 
Quando eu me vi deitado naquele chão, uma solidão me envolveu.
O calor dos seus braços não me protegeu, nem mesmo o seu sorriso.
No rádio uma melodia para a minha alma, e na mão uma foto passada.
Que sorriso era aquele escancarado na minha face?
Ah! Você estava do meu lado.
 
Eu chorei, me desabei, o seu nome eu gritei.
Para longe a garrafa foi arremessada, e nossa foto, rasgada.
O vinho branco havia acabado, o cigarro se esfumaçado.
E nos meus antigos livros as nossas histórias passadas.
 
Como eu havia escrito, por você e para você.
Mas o coração estava enfurecido, e nas chamas da lareira eu os depositei.
Como combustível no fogo, as chamas se revoltaram.
Cartas, garrafas, fotografias guardadas. Tudo descartado.
 
Quando o amanhã brotou, o dia havia se revoltado.
Parecia que a realidade estava irada. Uma enxurrada para me fazer sofrer.
Nas cinzas da lareira apenas rastros de nosso passado.
As chamas te levaram, e nada mais perdurou que um mero pensamento.
 
O que aquele descontrolado havia feito?
A saudade vai me acompanhar, e o arrependimento me perturbar.
Estou tremendo, temendo com o meu possível futuro frustrado.
Se é que possuo um futuro sem você.

- Neto Ribeiro
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