Colina encantada
Colina encantada
O poeta de tanto escrever seus sonhos,
sonhou com um elevado monte a perder
de vista no horizonte, comparando-o com
sua vida naquela visão querida, consigo
resmungou: Estarei num paraíso tropi-
cal do mundo astral? Será que existe
mesmo o céu, onde tudo é o mais puro
vergel, e somente pra rimar uma rima mais
doce do que o doce mel? Não perdendo o divino
dom de rimar qualquer coisa que porventura achasse
na estrada de sua imaginação não dispensava o empoeirado
mote da criação. Não via anjos com suas asas brancas, tampouco,
arcanjos com suas ancas francas, e se perguntou: Afinal que diferença
há na canja desses arcanos; anjos e arcanjos? Não havia ninguém rezando
ladainhas naquele além, destituído de sinos e campainhas... Sequer ouvia a
alegria de qualquer criança... Encafifado olhava para os lados e nada de
anjos alados. Meio embasbacado, conjecturou consigo mesmo:
Que mundo é este que estou vivendo? Não dá nem pra
encher o saco de tanto rezar, é o norte da pura sorte,
isto aqui está longe de ser azar... Há pouco estava
escrevendo e agora estou do outro lado sonhando
acordado. Terei sofrido algum desastre atrevido e
estarei desmaiado. Estarei deitado ao lado de quem
mais amo, quiçá, no paraíso perambulando... Apesar de
tudo sua alegria superava o canto de qualquer sereia, quando
foi sacudido por Afrodite, sua antiga esposa que alardeia. - Só podia
ser você pra me tirar o sono mais uma vez... - Você resmungava
por demasia mencionando o nome de sua tia e eu escutava
o que Você dizia por repugnante insensatez... Ai o poeta
percebeu que o buraco era mais embaixo, e descartou
aquele seu sonho como se fosse o paraíso de Deus.
Porém, pensou seriamente em voltar outra vez
e, jamais acordar para este falso sonho de
viver a vida-estupidez...
jbcampos
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