Olhar de longe...
Frederico de Castro

A tristeza partir
As palavras digerir
Uma lágrima sóbria aferir
Depois de muitos silêncios deglutir
Olhar de longe...
As memórias expandir
Até que a noite se deixe despir
E nós nos amar-mos até a morte surgir
Olhar de longe...
As sombras que se esgueiram por fim
A escuridão por muito que queira subsistir
Morre aqui de vez sem lamentos repartir
Olhar de longe...
O amordaçar do silêncio sempre a retinir
O murmúrio dos nossos beijos a flertar e assentir
Em toda a solidão que incólume por fim se quer demitir
Olhar de longe...
A casta sumarenta dos desejos a fluir
Até nos embebedarmos pra sempre numa
Caricia incomum, imponente sem sequer mais discutir
Frederico de Castro
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