Mãos
sinkommon
Esfacela-me as faces, devagar.
Pétalas de mãos macias de magnólias,
purpúreas e pálidas de cheiro aleivoso.
Alto está o céu áspero e estrondoso.
Árvores abrem-se. Breves. Em tremores.
As cicatrizes cinzentas, os tambores,
rufando sem alento porque as mãos
são purpúreas e pálidas e pontes.
Voz vaga e longe daqui
e nas faces que esfacelaste,
porque de raiva assim to pedi,
os teus dedos meus usaste.
É longe, o mar é vasto.
As águas movem-se e vão.
Deixam-nos, sem dó, a léguas.
E não há perdão.
Escrito a 21/06/2018
Pétalas de mãos macias de magnólias,
purpúreas e pálidas de cheiro aleivoso.
Alto está o céu áspero e estrondoso.
Árvores abrem-se. Breves. Em tremores.
As cicatrizes cinzentas, os tambores,
rufando sem alento porque as mãos
são purpúreas e pálidas e pontes.
Voz vaga e longe daqui
e nas faces que esfacelaste,
porque de raiva assim to pedi,
os teus dedos meus usaste.
É longe, o mar é vasto.
As águas movem-se e vão.
Deixam-nos, sem dó, a léguas.
E não há perdão.
Escrito a 21/06/2018
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