Escritas

UM OSSO EXPOSTO

Paulo Sérgio Rosseto
Bem próximo às minhas mãos
Existe um poço seco
Onde por vezes escondo algumas manias
Como qualquer outro dia
E ali deposito aventuras e medos
Observações, melancolias, dores e usuras
Perigos e frustrações
Possibilidades, feridas mal curadas
Adagas enferrujadas
Cáries não obturadas
Restos das unhas que roo
Sebo que arranco dos olhos, cravos
E sílabas impronunciáveis
De inúmeras frases truncadas

Sempre retiro a água do meu fosso
Porque não desperto nem afogo
As mágoas das minhas afiadas lâminas
E provavelmente desminto os fantasmas
Remediados que atormentam
A conveniência da alma e do destino
Convertendo o incômodo avanço
De tudo que apreço, aprendo e apregoo

Falível, sou parte desta sociedade
Que devora o presente
Mas não se sente doente
Por ter uma tarja nos olhos
E um osso exposto
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