Escritas

Cala

alexandre montalvan
Cala

Cala em mim a minha alma humana
sem o dia e sem a noite, sem o nada
nos ferros retorcidos da senzala
toda está essência de existir
sem poder entender ou apenas ir

Já não há dor que em nada resulta
talvez apenas um quê da dura vida
porque é viver e vivo neste horror
onde toda a miséria é perseguida
e o sofrimento é indolor

Quanto mais afundo no negrume
de um visgo que me segura como mãos
no limiar da sanidade e da loucura
do vago esganar da seladura
m'alma
arrevesada e tensa em plena contramão

Esta ignorância me resvala
a tristeza impregnada na existência
talvez tentar ver seja um erro atroz
mas está na minha essência
esta infelicidade feroz
da minha consciência.

Alexandre Montalvan
150 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.