A MORTE É UMA SINGELA FLOR
Conta-me
algo que eu não tenha visto em ti,
querida, mas sem mistérios
ou mentiras;
conta-me,
por exemplo, sobre o que te deram
os mitos marítimos sobre cujos rijos marulhos
(extaticamente) surfaste;
conta-me,
por exemplo, dos deuses que fabricaste,
sob cujos ensinamentos sequer conseguiste
habitar, sem ser com a volatilidade
de teus verbos;
conta-me,
por exemplo, deste ser a quem disseste amar tanto,
mas tanto que lhe prometera uma fausta
eternidade às asas,
até que a tudo
enterraste nos paus de velhos pássaros
que sobrevoavam tuas imundas
quimeras.
[... agora, depois de tudo isso,
ao fim de tua jornada, conta-me se valeu a pena;
dize-me de algo que realmente
lhe tenha sobrado]
algo que eu não tenha visto em ti,
querida, mas sem mistérios
ou mentiras;
conta-me,
por exemplo, sobre o que te deram
os mitos marítimos sobre cujos rijos marulhos
(extaticamente) surfaste;
conta-me,
por exemplo, dos deuses que fabricaste,
sob cujos ensinamentos sequer conseguiste
habitar, sem ser com a volatilidade
de teus verbos;
conta-me,
por exemplo, deste ser a quem disseste amar tanto,
mas tanto que lhe prometera uma fausta
eternidade às asas,
até que a tudo
enterraste nos paus de velhos pássaros
que sobrevoavam tuas imundas
quimeras.
[... agora, depois de tudo isso,
ao fim de tua jornada, conta-me se valeu a pena;
dize-me de algo que realmente
lhe tenha sobrado]