A luz...
Frederico de Castro

A luz da solidão pernoita acordada
Delira constante, metódica, diligente
Urdida num incomensurável momento urgente
A luz esbate-se pela madrugada fora e
Desemboca voraz no cais dos silêncios prepotentes
Oh, pudesse eu, inspirar-me sempre com palavras coerentes
A luz apaga-se um dia e noutro desperta ígnea desejada
E tão luzente,deixa à tangente da nossa existência um
Cardume de adocicados abraços prolíficos e coniventes
A luz esmaecida e reverberante delira entre mim e ti
Despista-se nas vielas da noite inócua e quase insolente
Adormecendo num incabível silêncio, remoçado, incauto...veemente
A luz num êxtase magistral encobre suaves gomos de alegria que
Se dissolvem num eco matinal,cauteloso e emoliente para que,
Dessedentem cada sombra vagando nesta escuridão quase decadente
A luz toma de assalto todo eco e lamento que grita copiosamente
Alonga-se em lascivos desejos desesperadamente estridentes
Embebeda-se num cálice de vendavais caricias quase transcendentes
A luz pincela todas as ilusões derradeiras mas aconchegantes
Empoleira-se entre a occipital razão de todos os amores
Até se esmagar nas falanges de tantas solidões às vezes tão asfixiantes
Frederico e Castro
Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
2025-08-17
Olá...Poetisa ...Bom dia. belo texto de que parece nunca acabar. mas o mesmo tem um fim para tomar um belo café, pois como dizes ( o amor te traz muita fome ) li vários textos teus ... são agradáveis de ler . Parabéns . Matilde Campilho. se algum dia , tu tiveres tempo... me visite no escrita org. felicidades.
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