A ANGÚSTIA DO POETA
Charlan Fialho
Há dias em que o meu amor é tomado de sandice...
Às vezes, escrevo nas páginas da escuridão,
Sucateio os horizontes da paixão
E com os meus sensacionalismos brigo com o coração tolo.
Já tentei pisar o som dos beijos e apagar a música
Que acorda a alma com plangores,
Mas não consigo, sofro com esse pecado que acorda-me na aurora.
Há dias que o meu amor fica assim,
Perdido no contraste do tempo, que insiste
Em caminhar na contramão dos sentimentos;
Não macaqueio nenhuma emoção rasa,
Sequer amolento minhas oferendas de amor,
Mas faço-me poeta obtuso, carrancudo, escorchado pelos arranhões
Das lembranças que atascaram meus enleios.
Há dias que não me vejo; o amor fica cinzento...
Parece que sumo debaixo dos estrondos
Que há dentro do peito e, como nuvem desfaço-me
Sem ostentar qualquer nuance, nem adereços...
Sou arrolado como um pássaro a andar sem destino,
Visto a caminhar com meus versos nublados;
Preso em ardis sentimentos, escondo-me nos outeiros do desalento
Onde só me encontram no décor de cada pesadelo.
-Charlan Fialho
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