Escritas

Poema das Minhas Referencias

Sanjo Muchanga
Sentado entre a beira mar leio
Mil vezes as mesmas cartas de amor
Que me causaram melancolia
Do tempo em que também escrevia
Cartas de amor iguais a do Pessoa
Também ridículas que este tempo.

E por puro medo de errar as palavras
Errei o meu sentimento com você
Que tantas vezes foi maravilhosa comigo
Não por que quis brincar contigo
Como brinco comigo
Quando leio os meus próprios erros.

Porque sou um vazo vazio
Que se quebra com facilidade
Prefiro não ter preferência disto
Que não é isto e nunca será isto
Para ser sozinho em meu leito
Bebendo o conhaque das suas lágrimas.

Porque estavas aqui a corrigir os meus erros
Ao ler as suas cartas de amor
Que ficaram espalhadas em meu íntimo
Como agora que estou quebrado
Entre o telhado do meu pensamento
De quer o que bem quero para ti
Que escrevi este poema.

Agora vou me embora
Antes que jazem os mares
E me levem junto de ti
Minha falecida inspiração
Que busco na ilusão dos ventos
Das vozes noturnas da Bahia
Para te escrever poemas
Que um dia serão teu consolo.

Quando já não haver tempo
De os ouvir da minha boca
Que treme toda vez que chama
Pelo seu nome Lina
Minha esperança de ouvir
A chegada da minha partida.

E se me resta algo agora
Antes de partir, que seja isto
Adeus, até para sempre
Minha prematura inspiração!

Sanjo Muchanga