A menina
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Quando a criança sai sozinha, o que podemos fazer com ela? Tão rebelde é esta pequenina, fazendo, assim, o que bem entende e saindo sem ser ordenada, nem ao menos avisando que irá. Ela é como o nascer do sol, algo que tens certeza, mas podes pensar: será mesmo? E sim, é mesmo, e acontece, e se realiza, e se vê, e se sente. Entretanto, o que fazer quando esta menina quer sair sozinha? Por que sai de mim, pergunta o homem desesperado, quem te deu motivo para isso, quem te fez ser assim, quem te deu ordem para fazer isso? Eu já falei que não me importo, eu já disse que não faz diferença para a minha vida tudo isso que aconteceu. No entanto, a pobre menina, tão malquista sabe do que realmente se passa, ninguém pode mentir para ela, as pessoas até tentam prende-la com algemas e deixa-la sem luz, porém ela sai, mesmo que se arraste pelo caminho e se fira no na estrada, ela vai embora. Muitas vezes a garotinha sai tão fraca que se arrasta ladeira abaixo. Logo atrás dela vêm suas irmãs, da mesma forma, também malquistas por muitos, mas elas chegaram a um nível tão grande de rebeldia e autonomismo que não se importam com o que dizem; elas não ouvem. Simplesmente, se são colocadas diante da verdade, procedem de acordo, segundo e em consonância com suas naturezas. A pobre menina, que ganha várias irmãs que de igual modo despencam ladeira abaixo, e são arrastadas por panos, por mãos, e muitas vezes ignoradas... Ah! Pobre lágrima!
Marcos Vinícius Moraes de Sousa
Marcos Vinícius Moraes de Sousa
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