Os Amores Mortos

Se acordássemos todos os amores mortos
Quais seriam os seus queixumes?
Diriam que morreram de mal-nutrição?
Traição, monotonia, falta de tesão?
Prematuros, inoportunos, consensuais
Ou, se há tal coisa, excessivamente sensuais,
De todos os amores disponíveis
No currículo do coveiro das paixões,
Não encontraríamos um insatisfeito
Com o seu estado sepultado.
Implorariam, até, cheios de fé:
Ressepulta-me!, devolve-me
Com as mãos gentis de quem segura um bebé;
Firmes, como quem colhe o ainda mal maduro grão,
Às valas solitárias, mas serenas, do chão.
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