A CARA

Era uma cara
Bastante dissimulada,
Sem princípio ético,
Moral: nada.

Na raiz do dia
Era só ilusão.
Não tinha asas
Para sair do chão.

Queria, a qualquer preço,
O que sempre teve
E nunca deu valor.
Impossível refletir.
Sinceridade não havia ali.

Mas era uma cara perfeita,
Como tudo o que há no mundo
De mais encantador e belo.
No olhar dos tolos, inclusive,
Passível de amor eterno.
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