Escritas

VERSO A VERSO

Ribas Miranda

VERSO
A VERSO


Verso a verso

Acordo o lirismo falso

E as torturas silentes

De quanto adverso;



Verso a verso

Exprimo o sumo

De mim mesmo colhido

Ou de outro universo;



Verso a verso

É que me disponho

À limpidez da tempestade

Ao fogo de uns sonhos;



Verso a verso

Desfibro o mundo

Desde os seus arcabouços

E então recomeço;



Verso a verso

Atiro a pedra da ideia

No lago de pensar

O que ainda estremeço;




Verso a verso

Me aproprio do brado

E do silêncio impávido

Que me disperso;



Verso a verso

Penetro as margens

Das montanhas, e névoas

Em salto desconexo;



Verso a verso

Dispo a verdade retórica

Para dirimir a loucura

À qual me confesso;



Verso a verso

Me inicio na combustão

De uma brasa faminta

Que me traz imerso;



Verso a verso

Liberto a ave do caos

Pela cavidade incoercível

De onde sou egresso.