Escritas

NÃO HÁ MAIS SO, NEM SONHOS À DEFINITIVA NOITE

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
Quando,
a uma fria madrugada,
ouvires-me
me passer em tua lembrança,
pisares
a terra encharcas por minhas
ainda outrora chuvas
de fogo
ou sentires
o o cheiro de meus bafechos
soberbos,,
não tenhas dúvida,
sou eu depois de morto, que terei
vindo para, fantasmagoricamente,
agradecer-te
pela perjuras que me
fizeste, pelos cânticos e pelo encanto
com que me hipnotizaste
e pela
principal marca tua: a covardia
e a ingratidão com que me presenteaste
nos meus últimos dias
de vida!
106 Visualizações

Comentários (1)

Iniciar sessão ToPostComment
Harlei Cursino Vieira
Harlei Cursino Vieira
2025-12-30

A afirmação de que Manuel Bandeira é a ponte entre Machado de Assis e o Modernismo por tê-lo conhecido pessoalmente é uma simplificação que mistura um fato biográfico com a crítica literária. O Encontro Pessoal Manuel Bandeira de fato teve um breve encontro casual com Machado de Assis em um bonde (ou trem, dependendo da fonte) no Rio de Janeiro quando Bandeira ainda era um menino, por volta dos dez anos de idade. Ele relatou o episódio em suas memórias, descrevendo como recitou uma oitava de "Os Lusíadas" para o mestre, que havia esquecido as palavras exatas, o que lhe causou grande orgulho. Mais tarde, na velhice, Bandeira teria confessado que a história tinha elementos de "mentirinha" ou embelezamento poético, embora um encontro tenha ocorrido. A "Ponte" Literária A ideia de Bandeira ser uma "ponte" entre os dois períodos (Realismo/Parnasianismo de Machado e o Modernismo) é uma metáfora crítica que reflete sua importância na transição literária, não apenas o encontro casual: Influência e Ruptura: A obra de Bandeira, embora com traços iniciais do Parnasianismo e Simbolismo, é crucial para o Modernismo. Ele adotou o verso livre, a linguagem coloquial e temas do cotidiano, rompendo com o formalismo tradicional que dominava a poesia na época. Apreciação de Machado: Bandeira admirava Machado de Assis e escreveu crônicas sobre ele, reconhecendo a genialidade do romancista, mas também notando que a poesia de Machado ficava em segundo plano em comparação com sua prosa. Papel no Modernismo: Bandeira foi uma figura chave da Primeira Fase do Modernismo brasileiro (Geração de 1922) e seu poema "Os Sapos" foi lido na Semana de Arte Moderna, ridicularizando o Parnasianismo e consolidando a nova estética. Portanto, a "ponte" é mais sobre a inovação estética e a transição geracional que sua obra representa do que o encontro físico, que foi um episódio biográfico interessante, mas sem impacto direto na continuidade ou ruptura dos estilos literários.