Deus o Poeta Maior
Frederico de Castro

Brotam no dia ansiosos gracejos castos
Fazem mil vénias ao silêncio que brada
De repasto em repasto até parir um osmótico
Lamento indubitavelmente farto e apoteótico
Sussurram as nuvens baixinho entre chuviscos
Aleatórios deixando à mercê do tempo uma cerrada
Hora flertando a saudade cuidadosamente encastrada
Entre as reticências da vida vagarosamente adestrada
Raios de esperança legendam
A fé renovada sorvendo cada oração
Madrugando nas gotículas de luz em reclusão
Por ali passarinham salmos e cânticos
Trepidantes colorindo todo o altar do Criador
Qual poeta maior, exuberante e conciliador
Frederico de Castro
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