Escritas

Expurgo

Luciana Souza

Eu estou lá,
pendurado sem ar.
Essa corda me amarra
e, nesse ferro frio,
espero vazio
o pavio acender.

Eu espero alguém
que arrebente essa corda,
que sopre minha alma
e me faça esse bem.

E então, por inteiro,
tendo o peito cheio,
cuspir essa brasa,
fazer arder cada palavra
sentida, sofrida.
Uma azia essa dor!

E por fim, num suspiro,
esse fole vazio,
livre e finito,
destino cumprido
sem mágoa,
sem dor.