Escrita Criativa
Na amargura da vida colho estilhaços das minhas meias de vidro, percorro caminhos estranhos e confusos, erros atrás de erros, tenho os pés mais frágeis de toda a humanidade, estes são ásperos e rijos o que dificultam com que estas meias pobres durem e durem.
Cada passo que dou um pedaço de vidro corta-me o pé, há quem diga que seja uma metáfora da vida, que cada passo cada corte seja um erro cometido por mim.
Cavo e cavo a minha própria sepultura, atitude niilista, o medo da morte não há, apenas o desejo dela, o desejo de a experimentar, penso que seja apenas digno de uma caixa de cartão como um caixão, quero que os bichos me comam e assim com eles vagueie pelas terras mórbidas do cemitério e assim seja esquecido como todos os outros que se encontram enterrados ao meu lado.
Encho-me de comprimidos com o pretexto de que tenho uma doença, mas na verdade gosto é do efeito destes, gosto de me sentir pouco desperto, quente, apagado, comigo mesmo, longe de pensamentos que me destroem num todo e assim me tirem a razão de viver, que dor esta, que dor de pensar, que dor de ser, quem me dera apenas.... Ser algo, ser algo que não eu.
Na solidão do ser me reconforto e me identifico, doce melancolia esta, saudades do passado e de ser algo que nunca fui. Aquele momento em que percorri a estrada da vida em direção à floresta, voltar a ser quem desde o início dos tempos estava destinado a ser, mas algo me impediu, muros, muros estes que são construídos por mim como autodefesa, como desculpa para não fazer algo.
Tenho uma ligeira comichão no nariz, aí que desconforto, aí que que vida, ai que dor.
Vontade de crer ser alguém enquanto percorro o meu caminho até casa, desformatado, descongelado, eu, diferente, eternamente eu, tomo um duche, lavo-me e continuo o mesmo, não há alternativa se não aceitar este terrível fado.
Relembro os tempos em que ela me fazia festas no cabelo, os tempos em que realmente pude sentir um pingo de felicidade e sentir-me bem comigo próprio, no entanto, a minha natureza de animal faz com que tudo seja efémero e não dure, é a vida, com estas amarguras com todas as lágrimas colhidas poderia surgir um lago, um lago de tristeza, um lago de mim.
Por vezes, tenho sonhos em que me encontro sempre numa clareia, no meio da escuridão, como foco de luz apenas existe uma fogueira à volta dela oiço cânticos estranhos, não entendo, vejo fumo a sair da boca das pessoas que cantam, estas fumam através de um cachimbo, o que será?
Pensei, DMT, shanga, ayahuasca? Entendo que neste ritual se possa encontrar, ou mesmo, chegar à chave da minha felicidade, da minha vida, apenas não sei alcançá-la, quantas vezes mais terei que sonhar isto?
Este sabor doce como o chocolate de quase alcançar algo que por si só acaba por ser uma Utopia, chove sobre o meu chapéu de chocolate, chuva ácida, este acaba por derreter sobre mim e sinto que cada pinga seja uma pista para o alcance desta Utopia
Cada passo que dou um pedaço de vidro corta-me o pé, há quem diga que seja uma metáfora da vida, que cada passo cada corte seja um erro cometido por mim.
Cavo e cavo a minha própria sepultura, atitude niilista, o medo da morte não há, apenas o desejo dela, o desejo de a experimentar, penso que seja apenas digno de uma caixa de cartão como um caixão, quero que os bichos me comam e assim com eles vagueie pelas terras mórbidas do cemitério e assim seja esquecido como todos os outros que se encontram enterrados ao meu lado.
Encho-me de comprimidos com o pretexto de que tenho uma doença, mas na verdade gosto é do efeito destes, gosto de me sentir pouco desperto, quente, apagado, comigo mesmo, longe de pensamentos que me destroem num todo e assim me tirem a razão de viver, que dor esta, que dor de pensar, que dor de ser, quem me dera apenas.... Ser algo, ser algo que não eu.
Na solidão do ser me reconforto e me identifico, doce melancolia esta, saudades do passado e de ser algo que nunca fui. Aquele momento em que percorri a estrada da vida em direção à floresta, voltar a ser quem desde o início dos tempos estava destinado a ser, mas algo me impediu, muros, muros estes que são construídos por mim como autodefesa, como desculpa para não fazer algo.
Tenho uma ligeira comichão no nariz, aí que desconforto, aí que que vida, ai que dor.
Vontade de crer ser alguém enquanto percorro o meu caminho até casa, desformatado, descongelado, eu, diferente, eternamente eu, tomo um duche, lavo-me e continuo o mesmo, não há alternativa se não aceitar este terrível fado.
Relembro os tempos em que ela me fazia festas no cabelo, os tempos em que realmente pude sentir um pingo de felicidade e sentir-me bem comigo próprio, no entanto, a minha natureza de animal faz com que tudo seja efémero e não dure, é a vida, com estas amarguras com todas as lágrimas colhidas poderia surgir um lago, um lago de tristeza, um lago de mim.
Por vezes, tenho sonhos em que me encontro sempre numa clareia, no meio da escuridão, como foco de luz apenas existe uma fogueira à volta dela oiço cânticos estranhos, não entendo, vejo fumo a sair da boca das pessoas que cantam, estas fumam através de um cachimbo, o que será?
Pensei, DMT, shanga, ayahuasca? Entendo que neste ritual se possa encontrar, ou mesmo, chegar à chave da minha felicidade, da minha vida, apenas não sei alcançá-la, quantas vezes mais terei que sonhar isto?
Este sabor doce como o chocolate de quase alcançar algo que por si só acaba por ser uma Utopia, chove sobre o meu chapéu de chocolate, chuva ácida, este acaba por derreter sobre mim e sinto que cada pinga seja uma pista para o alcance desta Utopia
Português
English
Español