À ALVORADA, O DIA SERPENTEIA VAZIOS

Hoje sonhei-me mistério
no caminho de flores
a bordarem, entre espinhos,
enlaces com estilhaços de luz.

Na imensidão dos mares
a abarcarem, entre ondas,
náufragos com cacos de esperanças.

No pendular dos ventos
a embalarem, entre calidezes,
vicejares de instantes.

No carpintar das nuvens
a adornarem, entre céus,
pássaros flutuantes.

E, como via poesia
até na verborragia dos homens,
desconfiei-me de mim
e acordei a refletir, entre chuvas,
precipícios e vazios.
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