Onde a VIDA urge, a MORTE está! (extractos)
ALVARO GIESTA
"Onde a VIDA urge, a MORTE está!"
poema 14.
perco-me cada dia num patamar
finito
onde a finitude
é infinita.
atravesso este chão que piso
como a árvore atravessa
o ciclo da vida,
e o sol no seu eterno queimar
se aproxima da noite fria
para se fazer de novo
dia.
poema 15.
o pó das coisas aquieta-se,
afunda-se e morre
tão escuramente dentro do meu ser
que se arrasta como verme
para a cova escura donde vai outra vez
nascer.
poema 16.
a dormir ou acordados debaixo das mesmas fragas
e cruzando o mesmo céu,
por teimosia vivemos
respirando afogados no fundo
das mesmas águas.
juntos, como as aves
em dias tardios de invernia,
partimos
como duas naves
cruzando infinitos céus
em busca de outro paraíso e de outro deus.
poema 17.
demora-te,
tarda em vir sobre mim
nessa última hora.
antes de me levares contigo
demora...
percorre-me no teu eterno percorrer
demora sobre mim teu halo,
conhece por dentro este ser terreno
antes do eterno me dares a saber.
poema 18.
tu e eu somos duas partes
da mesma parte deste ser,
eu, enquanto VIDA
amada
e sofrida, tanta vez calada
quantas vezes neste mundo injusto
que até me assusto
quando penso em ti, MORTE
que um dia me vais lamber
de alto a baixo
como o cão que lambe o dono por amor
e o deixa depois ao abandono e à sua sorte.
poema 19.
VIDA, que foste amada, vivida
quantas vezes maltratada te maltrataste...
até te tornaste torpe!
foste esquiva, indesejada
vilipendiaste, quantas vezes até mataste!...
...que agora dás por bem vinda
a MORTE.
___________
Alvaro Giesta in O Retorno ao Princípio (numa dialéctica Vida-Morte), Calçada das Letras, 2014
- 66 poemas
- 94 páginas
ISBN: 978-989-8352-51-4
Depósito Legal: 376447/14
Preço 10,00 €
A obra pode ser comprada pela net na WOOK (livraria online da Porto Editora), com desconto de 10% em cartão.
poema 14.
perco-me cada dia num patamar
finito
onde a finitude
é infinita.
atravesso este chão que piso
como a árvore atravessa
o ciclo da vida,
e o sol no seu eterno queimar
se aproxima da noite fria
para se fazer de novo
dia.
poema 15.
o pó das coisas aquieta-se,
afunda-se e morre
tão escuramente dentro do meu ser
que se arrasta como verme
para a cova escura donde vai outra vez
nascer.
poema 16.
a dormir ou acordados debaixo das mesmas fragas
e cruzando o mesmo céu,
por teimosia vivemos
respirando afogados no fundo
das mesmas águas.
juntos, como as aves
em dias tardios de invernia,
partimos
como duas naves
cruzando infinitos céus
em busca de outro paraíso e de outro deus.
poema 17.
demora-te,
tarda em vir sobre mim
nessa última hora.
antes de me levares contigo
demora...
percorre-me no teu eterno percorrer
demora sobre mim teu halo,
conhece por dentro este ser terreno
antes do eterno me dares a saber.
poema 18.
tu e eu somos duas partes
da mesma parte deste ser,
eu, enquanto VIDA
amada
e sofrida, tanta vez calada
quantas vezes neste mundo injusto
que até me assusto
quando penso em ti, MORTE
que um dia me vais lamber
de alto a baixo
como o cão que lambe o dono por amor
e o deixa depois ao abandono e à sua sorte.
poema 19.
VIDA, que foste amada, vivida
quantas vezes maltratada te maltrataste...
até te tornaste torpe!
foste esquiva, indesejada
vilipendiaste, quantas vezes até mataste!...
...que agora dás por bem vinda
a MORTE.
___________
Alvaro Giesta in O Retorno ao Princípio (numa dialéctica Vida-Morte), Calçada das Letras, 2014
- 66 poemas
- 94 páginas
ISBN: 978-989-8352-51-4
Depósito Legal: 376447/14
Preço 10,00 €
A obra pode ser comprada pela net na WOOK (livraria online da Porto Editora), com desconto de 10% em cartão.
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