INSUBMISSAS SÃO AS ÁGUAS
ALVARO GIESTA
caía a tarde sobre o mar;
e o poeta, na muralha erguida, entre
a vida e a morte, vivia
este gesto ávido de um ao outro se darem.
o vento na sua voz
agreste
pousava-lhe no rosto
os salpicos sobrantes das ondas
que batiam na rocha___
___a rocha que submissa
se abria inteira e sedenta
às mãos insaciáveis da fúria do mar;
ambos amantes ávidos
um do outro:
o mar na fúria de beijar a rocha,
a rocha
na sua servil missão
de se sentir castigada neste gesto feliz
de amar.
e o poeta, na amurada ___erguida
qual muralha entre a vida e a morte___
debruçado nela com a tarde em despedida,
observando estes dois amantes
que sob o seu olhar se beijavam
sofregamente___
___sofregamente se beijavam vivendo
a grandiosidade do amor:
sabor único com sabor
a mar
sem lugar nem trono,
apenas este gesto masculino
de ao feminino se dar.
escorria-lhe pelo corpo molhado
uma sensação enorme de liberdade,
___liberdade vinda nas asas sedentas
da gaivota que na rocha poisava,
liberdade que partia para o longínquo
no eco feliz da voz do mar.
____________________:
insubmissas são as águas
[todos os direitos reservados nos termos da lei]
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