Escritas

PENUMBRAS

PÉRICLES ALVES DE OLIVEIRA - THOR MENKENT
Quando o sol banhar teu corpo moreno, fazendo-te sentires nas entranhas o calor que faz fervilhar teu sangue em paixões humanas, saibas que em mim o caos ainda estará latejando.

Quando um arco-íris riscar o céu azul, e tu falares inocentemente do lindo dia, pintado em sublimes cores horizonte irreais, saibas que em mim as sombras ainda prevalecerão.

Quando a primavera te chegar em esplendor, e teu coração vibrar com intensidade, em anseios pela energia da vida que brota, saibas que em mim o frio ainda é constante.

Quando o forte vento se acalmar em ti, tornando-se não mais que uma mansa brisa, a tocar suavemente rostos angelicais, saibas que em mim, a tempestade ainda vigora.

Quando encontrares flores sobre sua mesa, e conforto em palavras suaves e amenas, em baixo tom, sussurrando ao teu ouvido, saibas que de mim só emanam perjuros impiedosos.

Quando te embebedares de mentes sãs, que te despertam o desejo incontido, pela conquista do irreal que em ti transcende, saibas que toco corações apenas para devorar corpos.

A isso saibas de mim, porque de ti sei tudo: Por detrás teus discursos com a cabeça soerguida, e do olhar posto na visão entorpecida não te mostram tua fragilidade, análoga à escuridão minha em que adentraste, e escondida em alvas vestes.

E da incapacidade de sofreres dores por te veres a ti própria, jamais foste forte o suficiente para sequer passares do portão que levava a trevas maiores, as quais pudessem demonstrar, sem medos, todas chagas do reino adulterado.

Não aprendeste, meretriz de sonhos perdidos em quimeras tolas, que se toda escuridão iluminada com insustentáveis luzes Torna-se mais negra após suas passagens vilipendiadoras, também toda luz conhecedora de sombras torna-se mais tênue, até que se apague no impiedoso e intrínseco inverno do porvir.

O tempo é o mestre e carrasco dos insolentes regurgitadores e adulteradores de verdades, que afaga a face de manhã, e castiga severamente ao anoitecer. Nele a vida se esvai como prenúncio de um apagamento insolúvel, onde tudo se converge em algo qualquer que não se pode definir.

E de tua pálida luz, inverídica como meus fantasmas, postei-me insolente extirpando-a de minha morada antes que a adentrasses.

Levanta! Lamenta! Chora pelo que te foi subtraído de tua visão! Que teus sôfregos relampejos, moldados para tua própria queda, ainda despercebida, se apaguem com meus escarros pérfidos!
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