Detritos da solidão
Frederico de Castro

Borrifa a luz seus gomos de prantos tão indiscretos
Rabujam entre as tristezas mais absortas e obsoletas
Abocanham a vida lentamente povoando o
Antro de cada lamento ou palavra mais inquieta
Inaugurei o silêncio que pulsa no anfiteatro da vida
Deixando cada detrito da solidão tão desamparada,quase
Derrotada, erguendo os muros desta reclusão derradeira
Onde sei plantaria minha poesia erguida numa
Palavra fiel e tão verdadeira
No leito do tempo adormeci estirado entre os
Lençóis sedosos da saudade que agora expira
Espalmando todas as memórias peneiradas, joeiradas
Num pleno e inconsumível silêncio assim enladeirado
No quiosque das diversões compro cada verso editado
No semanário das mil e muitas ilusões alimentando com
Malicia a noite que se despe nesta estrofe trajada de tantas,
Artilheiras palavras expostas no escaparate da vida
Fecundada num murmúrio costurado com doçura tão matreira
Frederico de Castro
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