Desbravando a Floresta
andrerodriguescostaoliveira
"Viajante, jamais subestime a força e a majestade da floresta amazônica;
Não se deixe seduzir por cores e por bichos e por floras diferenciadas, que exalam um perfume mágico e que nos convida às aventuras impulsivas; ao desejo insano de nos lambuzarmos em alguma coisa e de perecermos engolidos num extenso regozijo orgástico.
Cuidado para que os mitos e as lendas das extensas matas não transformem a você próprio em um mero figurino naquele universo louco, enraizado às maiores profundezas de seu solo, para todo o sempre, sendo alimentado e ainda alimentando com a sua seiva o ecossistema dos sentimentos verdadeiros.
Não se deixe iludir pela vastidão do verde que parece infinito, trazendo às nossas mentes descuidadas a ideia de que tudo, em derradeiro, também seja infinito - inclusive as coisas boas e as horas de absoluto desespero.
Mantenha-se sempre atento aos temperos, ao sabor dos peixes e dos frutos, e às tezes em tonalidade inimitável de mulheres e de homens que os pescam e os colhem, e que nos embalam com histórias fantásticas de noite, encobertos pelo manto decorado das estrelas indecisas entre os hemisférios do planeta Terra.
Temperança e comedimento ao se anestesiar com o jambú sempre ardiloso; higidez absoluta ao respeitar (com a veneração dos deuses) a variedade das misteriosas infusões que nos oferece a extensa floresta; e, mais do que tudo nesse mundo: viajante, viajante, tenha o maior discernimento quando, ainda insone e transpirado pelo coito de anterior instante, observar à luz de Manduka, pela fresta de sua janela, o dorso nu da mulher que você ama tanto, indecentemente, depravada e arrebatadoramente, musa que um dia se forjou no barro e nas areias daqueles rios oceânicos, tingida em jenipapo e em urucum puríssimo, com a força da madeira da copaíba, a delícia do cupuaçu-do-mato e o odor inebriante do jasmim-manga; tudo isso ao som do canto do uirapuru, sempre orgulhoso "pero sin perder la elegancia", e quando toda a floresta fica em silêncio para escutá-lo; nessa hora, viajante, você vai achar que já morreu e que chegou ao paraíso."
(Andre Rodrigues Costa Oliveira)
Não se deixe seduzir por cores e por bichos e por floras diferenciadas, que exalam um perfume mágico e que nos convida às aventuras impulsivas; ao desejo insano de nos lambuzarmos em alguma coisa e de perecermos engolidos num extenso regozijo orgástico.
Cuidado para que os mitos e as lendas das extensas matas não transformem a você próprio em um mero figurino naquele universo louco, enraizado às maiores profundezas de seu solo, para todo o sempre, sendo alimentado e ainda alimentando com a sua seiva o ecossistema dos sentimentos verdadeiros.
Não se deixe iludir pela vastidão do verde que parece infinito, trazendo às nossas mentes descuidadas a ideia de que tudo, em derradeiro, também seja infinito - inclusive as coisas boas e as horas de absoluto desespero.
Mantenha-se sempre atento aos temperos, ao sabor dos peixes e dos frutos, e às tezes em tonalidade inimitável de mulheres e de homens que os pescam e os colhem, e que nos embalam com histórias fantásticas de noite, encobertos pelo manto decorado das estrelas indecisas entre os hemisférios do planeta Terra.
Temperança e comedimento ao se anestesiar com o jambú sempre ardiloso; higidez absoluta ao respeitar (com a veneração dos deuses) a variedade das misteriosas infusões que nos oferece a extensa floresta; e, mais do que tudo nesse mundo: viajante, viajante, tenha o maior discernimento quando, ainda insone e transpirado pelo coito de anterior instante, observar à luz de Manduka, pela fresta de sua janela, o dorso nu da mulher que você ama tanto, indecentemente, depravada e arrebatadoramente, musa que um dia se forjou no barro e nas areias daqueles rios oceânicos, tingida em jenipapo e em urucum puríssimo, com a força da madeira da copaíba, a delícia do cupuaçu-do-mato e o odor inebriante do jasmim-manga; tudo isso ao som do canto do uirapuru, sempre orgulhoso "pero sin perder la elegancia", e quando toda a floresta fica em silêncio para escutá-lo; nessa hora, viajante, você vai achar que já morreu e que chegou ao paraíso."
(Andre Rodrigues Costa Oliveira)
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