Viagem sem nexos

Após tua ida, Eduardo
Nossos filhos
Unicamente
Escutam gestos de saudades
Em meus olhos

Agora
Minha maternidade
Virou incógnita

Minhas tetas de mamão dilowa
Tornaram-se feministas

Tua vaga no outro lado da cama
Estaciona o nosso filho cassula

Ainda
Teu furgão avariado no quintal
É mansão de poeira espessa

Tuas botas prediletas de couro rústico
Um par no telhado
Outro, não sei...

E
Quê sabe-se de ti?

Cartas tuas
Nem por um lapso
Cheguei a receber

Teus amigos bêbados
Já não mais jogam dado ali na rua 15
Para que pelos menos
Rumores da tua pessoa
Pairasse até a boca da vizinha Manuela

Hoje
Estou assim
Interrogada na bifurcação
Entre o teu andarilho
E o teu tornado

Ermi Panzo em(Até a Próxima Vez)
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