Escritas

Último solo

Marcelo Reis


Avançou sobre o descampado como aquele que cobiça a catarse.

Acelerou a marcha, despiu-se, rodopiou, embebedou os sentidos.

Num golpe, alteou a cabeça e pôde divisar os tons azuis enegrecidos.

Restava-lhe claro que os céus, sem tréguas, inundariam seu êxtase.

Descarregou-se nele uma centelha raivosa daqueles raios em profusão,

Que, de tão luminosa, relampejou na retina daquela alma vulnerável.

Seu corpo, agora mais energizado, tombou despossuído e imóvel.

Era o derradeiro encontro com o solo, tocado pelo catártico trovão.
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