Escritas

GRAVITACIONAL

Paulo Sérgio Rosseto
Sou extremamente gravitacional
Giro tonto ao entorno dos meus problemas
E quando não os tenho, os arranjo
Através dos planos sensoriais
Que a minha displicência procria.
Veja como soluciono as angustias
Atrapalhadas e cambaleantes que me perseguem.
Sou barulhento desertor das ideias aflitas
Um flautista sem fôlego pronto para a disritmia
Um sem graça qualquer afeto ao que esconjura.
Juro que me apego a porcelanas trincadas
Conservo parafusos enferrujados e chaves quebradas
Que nada mais abrem nem destrancam nem significam.
O desapego unicamente me quebranta
Nas impropriedades que me representam.
De resto tudo finjo, camuflo, insinuo, esqueço.

Preciso apenas de silêncio
Este sim me envenena, e o óbvio.
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