O deserto

José Brandão
José Brandão
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O deserto fala comigo, grita, esperneia.

Sou areia ao vento, dunas, miragem.

Preencho o meu vazio com palavras

como um poema, aceito o arco da forma.


Aprendo o silêncio com a música,

carrego pássaros de sangue nos ombros,

contemplo a rosa até queimar os olhos.

A minha vida é o violino do abismo.


Estou só como uma pedra sem árvore.

O poeta lavra a palavra com terra na boca,

com espirais de areia e sol nos olhos.


O poeta é um cão, ladra na noite,

disputa o osso do caos e perde.

Cavalgo para sempre o cavalo da loucura.
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